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Capitalismo no Brasil

Capitalismo no Brasil

Ainda nos tempos do comunismo russo, os teóricos do sistema, com muita competência, ganharam a guerra publicitária contra o capitalismo. Arrebataram os corações da juventude. Em uma Europa em que a fome e a extrema pobreza diminuiu depois da segunda guerra, a preocupação com o próximo entrou em foco. A igualdade passou a ser item importante, capaz de conquistar corações.

O comunismo se desmoralizou, mas o socialismo ocupou seu lugar, ajudados pela sua linda tese – igualdade para todos. Isso empolga os jovens. Isso empolga os corações. Até mesmo o Papa Francisco, por quem tenho a maior admiração, acredita ser o socialismo a solução mundial.

Por que o socialismo não funciona? Um professor de economia, sentido que seus alunos tinham fortes inclinações socialistas, propôs um experimento: a partir daquela data, todos teriam notas iguais a média das notas da turma. Igualdade absoluta.

Alunos que no mês anterior haviam se esforçado, estudado e tirado boas notas não gostaram muito, mas foram vencidos pela maioria. Na prova seguinte, os que haviam estudado duro, se aplicaram menos; os que não gostavam de estudar, nada. Evidentemente a média baixou. Na prova final, a catástrofe: nota abaixo do mínimo para passar de ano. A maioria, que antes tinha notas passáveis levantou um protesto.

O professor retrucou: do que reclamam. Igualdade para todos.

Se o ser humano fosse anjo, os que estudavam teriam continuado com seus esforços, e todos estariam felizes. Porém, a humanidade não é feita de anjos. É feita de seres humanos imperfeitos.

No Brasil o empresário é demonizado. Quem ganha dinheiro é ladrão do povo. Enquanto nos Estados Unidos, são admirados, entre nós são acusados de aproveitadores.

Empresário não é anjo. Alguns tem consciência social, mas este não é o requisito principal do empresário. Em sua ânsia de ganhar dinheiro, eles se esforçam, as vezes enriquecem, as vezes quebram. A função do empresário é gerar riquezas, empregos e pagar impostos. E, claro, obedecer às leis.

As desigualdades no Brasil não são culpa dos empresários, mas de governos incompetentes que produzem as distorções. Você sabia que um ascensorista do Senado ganha mais que um piloto da Aeronáutica que dirige avião a jato? Isso é culpa do capitalismo? Claro que não, mas de um sistema de estado cada vez maior e mais poderoso.

Isso me lembra outra historinha. Um pai, preocupado com o filho que não queria mais estudar, pediu ao seu amigo de infância, político influente, que arranjasse um emprego para seu filho.

-Sem problemas, disse o político, ele pode ser assessor de um Ministério ganhando vinte mil reais por mês.

Tá maluco? Assim ele nunca mais estuda.

-Bem, tenho outra posição que paga quinze.

-Também não serve. Não tem uma menor?

-Dez mil?

-Muito. Alguma coisa que não ultrapasse três mil.

-Isso eu não consigo. Ele teria que ser médico, engenheiro, professor ou ser formado em alguma coisa.

Essa distorção não pode ser atribuída ao capitalismo. É culpa de um estado meio-socializado, com um sistema judicial que não pune os corruptos, sejam eles empresários ou políticos.

Já falei sobre o principal problema do socialismo em meu artigo: Os Males do Socialismo.

Quem é hoje o principal divulgador do socialismo? Quem prega para nossos filhos a beleza do sistema? Exatamente os professores do primário, secundário e até de universidades, que entendem tanto de economia quanto a Dilma, e que são justamente revoltados pela salario de merreca que ganham.

Porém, a culpa também é do capitalista. Com raras exceções, eles cuidam de sua vida e não se importam em explicar o capitalismo. Se aplicassem parte de seu tempo usando as técnicas de comunicação que praticam na venda de seus produtos para explicar melhor o capitalismo talvez conseguíssemos pelo menos equilibrar a guerra contra o socialismo No Brasil, ressalto os esforços do Instituto Liberal, que clama em um deserto sem encontrar eco na grande mídia.

A culpa é também da grande mídia, que não quer entrar nessa bola dividida que é defender o capitalismo. Uma parte dos nossos profissionais da mídia ainda acreditam que o socialismo é a solução. Que, no Brasil, a história possa se desenrolar de modo diferente das experiências em todo o mundo.

Será que teremos que esperar chegar a situação venezuelana para acordar? Será tarde. O socialismo gera governos fortes que reprimem a oposição. Dominar o Brasil. Instalar um regime bolivariano. Este era o plano do PT, do qual parece que fomos salvos pela incompetência e ganância de seus dirigentes.

Muitos gostam de usar o exemplo da Suécia como modelo de socialismo. Saiba que este país não tem grandes empresas estatais. Pelo contrário, protege as empresas privadas, taxando-as somente 22%. Porém, taxa as pessoas físicas fortemente e oferece à população serviços sociais – educação e saúde de primeiro grau.

Poderia o Brasil copiar a Suécia? As condições fundamentais seriam um povo educado, governo competente e uma ética que praticamente não tolera a corrupção. Você sabia que os salários dos políticos são muito menores que no Brasil? Que cada deputado tem direito a um quarto em um condomínio com outros deputados, com salas de almoço e de reuniões compartilhadas? Você ainda acha que o Brasil poderia copiar a Suécia? Talvez tenhamos que esperar uma ou duas gerações. Aliás, um amigo afirma que a desgraça brasileira é que nos faltam guerras e catástrofes.

Afirmo. Se não convencermos os brasileiros que o capitalismo é o único sistema que gera riqueza – veja os exemplos mundiais – que o capitalista não é um bandido, veremos o Brasil caminhar para um estado cada vez maior e poderoso, em que os ascensoristas, e outros profissionais ligados ao governo e aos políticos cada vez mais ganharão salários desproporcionais, que o custo Brasil será cada vez maior.

Afirmo. Ou os empresários entram na guerra contra essa mentalidade anti-capitalismo, ou nossa vida será cada vez mais difícil.

Afirmo. Se ficarmos quietos, acomodados, chegaremos ao bolivarianismo do qual será difícil sair, pois a democracia terá perdido a guerra. Governos fortes reprimem a oposição.

Sou velho. Meus anos de sofrimento serão menores, mas tenho filhos e gostaria de deixar-lhes o Brasil melhor. Peço, encarecidamente , que divulguem essas ideias – capitalismo, governo mínimo.

Você concorda?

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Agradeço.

Roberto Lima Netto, Ph.D., Economic Systems Planning, Stanford University.

 

O Papa Francisco e o Capitalismo

Roberto Lima Netto (*)

O Papa Francisco é um homem excepcional. Bom e enérgico, está tentando limpar o Vaticano de cardeais e bispos corruptos e complacentes que denigrem a Igreja. Suas posições frente a diversos temas difíceis – divórcio, por exemplo – ainda que cuidadosas, são revolucionárias para os conservadores da igreja.

Eu admiro o Papa Francisco e torço por ele em seu árduo trabalho de endireitar o Vaticano e modernizar a Igreja, mas não concordo com suas idéias econômicas. Até entendo que, iniciando sua vida de padre no ambiente das favelas argentinas e vendo as desigualdades e injustiças que ocorrem em certas economias capitalistas, ele se posicione contra o capitalismo. Talvez não se dê conta de que desigualdades e injustiças são ainda maiores em sistemas socialistas. Cuba é um bom exemplo, ainda que tentem atribuir seus males ao embargo americano. Porém, prender dissidentes não tem qualquer relação com o embargo; é injustiça mesmo, propiciada pelo regime forte que acompanha o socialismo em diversos países do mundo. Continue lendo